Vasco

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A LENDA DO PÁSSARO DO EXPRESSO

Ele caminhava pela floresta da Tijuca, calmamente. De repente, cansado, sentou-se debaixo de uma árvore. Nem tinha mais noção de onde estava. Perdera o rumo. Enfim, dormira, por um bom pedaço de tempo. Quando acordou, são sabia se ainda dormia, se sonhara, ou se já estava acordado. Só sabia eu vira dois pássaroas –um todo preto e o outro amarelo –, pousando perto dele, trazendo um copo de vidro em seus bicos. O deixaram ali e se foram.
Sem entender nada do que ocorria, ele o apanhou o recipientre, com a mão direita, o examinou e o achou diferente. Tinha a base entortada, parecendo coisa de algum artesão. Media cerca de uns dois centímetros e meio, talvez. Era de cristal. Dentro, vira um líquido escuro, à altura de uns quatro dedos. Resolveu experimentar.
Um inocente golinho depois, e lá se viu o sujeito no meio da torcida cruzmaltina, em São Januário, comemorando os gols do ‘Expresso da Vitória”. Vibrou com o tento que fez o Vasco rasgou o cartaz do Arsenal, que se considerava o melhor do planeta. E assistiu aos gols da conquista do Mundial de Clubes Campeões de Futebol Sul-Americano; do Campeonato Carioca de 1947, de 1950 e de 1952. Santo cansaço. Lhe fizera dormir e sonhar com tantas alegrias que, pessoalmente, não as assistira. Só sabia de tudo aquilo lendo na revistas antigas, como “O Cruzeiro”e “Esporte Ilustrado”.
Levantou-se, com o copo ainda na mesma mão que o apanhara onde os dois pássaro o pousaram, olhou no fundo, já vazio, e teve a impressão de ler a receita do que aquilo fora feito. Seria um licor? Não tinha tanta certeza. O sabor era bem diferente de todos os que  já provara. Olhou em seu relógio e viu que era hora de pegar o caminho de volta. Em vez de voltar, caminhou em frente. Escutou um pppsssiiiuuu! Viu um anjo-mulher, um fada, uma bailarina, algo assimo, imaginou. Ela o convidou a se aproximar.
- Não se espante. Sou a Fada da Cruz de Malta – ela apresentou-se, usando um vestido branco, com uma faixa em diagonal contendo uma cruz inserida à altura do peito esquerdo.
- Mas esta cruz em seu vestido não e da Ordem de Malta. É da Ordem de Cristo – ele a corrigiu.
- Não tem importância. Foi usada, também, pela outra. Além do mais, eu venho da Ilha de Malta – ela justificou-se, propondo: - Espere, sem sair daqui. Volto, rápido.
A Fada da Cruz de Malta desapareceu, entrando em uma caverna, em frente de onde  estavam. Como prometera, voltara logo. Troxera uma garrafa branca, transparente, cheia de algo que ele imaginava ser o mesmo que bebera há pouco.
- Tome! É um presente. Mas só consuma quatro dedos, de cada vez. Rigorosamente, não passe disso. Se passar, não fará efeito. E observe o espaço de uma semana, no mínimo, ingerindo-o aos domingos, por volta das cinco da tarde, ou das nove da noite – ela recomendou.
- Como se chama este licor? – ele indagou.
-Claun! – ela o informou
Ele obervou que a fada tinha asas. Não se lembrava de ter visto estilização de nenhuma assim.
- Você se apresentou como uma fada. Agora é uma anja? – ele cobrou.
- Anja, não. Anjo. Os anjos não são assexuados. São como as mulheres de malta. Anjos e fadas – ela afirmou.
Instantinhos depois, eles se despediram e ele tentou ir embora. Porém, estava perdido no meio da floresta. Por sorte, por intermédio do seu telefone celular, contatou o Corpo de Bombeiros, que o resgatou.
Ele passou de dezembro, data daquela aventura, a fevereiro do ano seguinte, seguindo as recomendações da fada/anjo, ao beber do claun. Vibrava com as preezas do “Expresso da Vitória” durante os seus lindo sonhos delirantemente cruzmaltinos.
 Em 29 de fevereiro de 2012, ele foi a São Januário e assistiu ao empate, por 2 x 2, com o Bonsucesso. De volta para casa, bebeu os últimos quatro dedos de claun e dormiu. Acordou, na manhã seguinte, cedinho, com a fada em pé, diante de sua cama. Ela sorria para ele.
- Olá! -  a cumprimentou.
- Olá! – ela respondeu.
Ele foi levantando-se da cama e, sem querer, derrubou o copo e a garrafa que estavam em cima do criado mudo.
Ela fez um sinal com os braços, as mãos e os ombros, e foi desaparecendo, como fumaça.
- Volto no próximo 29 de fevereiro, para quebrarmos o tabu – e se foi.
No mesmo instante, dois pássaros, um preto e o outro amarelo, entraram pela janela e foram juntando, com bicadas, os cacos de vidros espalhados pelo chão. Fizeram uma trocha, com um lenço que encontram pelo quarto, e voaram, carregando-o. Saíram pela mesma janela que haviam entrado. Despareceram no horizonte de um mar bem azul mar. Ele ficou olhando, tentando decifrar que pássaros eram aqueles. Corvos não eram, porque eram menores; marrecos, muito menos; sofrês, figueiras, também não. Nem conhecia figueiras amarelas. Foi a uma redação jornalística e contou aquela história maluca. Falou de apenas um pássaro. No dia seguinte, leu na manchete.
“Pássaro desaparece no horizonte”.
 Quatro anos depois, leu no mesmo jornal:
“Caravela traz pássaro de volta ao Brasil”.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

TRAGEDINHA DA COLINA

Não chegou a ser uma grande catástrofe, como as das outras matérias que já saíram nesta série sugerida por um dos nossos "vascoternautas". Mas não deixou se ser o que não deveria ter sido. Afinal, uma morena linda como esta que você vê na foto de “Manchete Esportiva” (Nº 95, que circulou com data de 14 de setembro de 1957, sem crédito para a foto) tem que ser vencedora em tudo. Menina da Colina nunca erde: deixa de ganhar, as vezes. Pena que esta aí de cima, a Maria Eugênia Silva, deixasse de subir ao mais alto degrau do pódio de sua prova, a dos 100 metros nado livre júnior das disputas cariocas da temporada "cinco-setão". Ela não conseguiu ultrapassar o tempo de 1min33seg10, da triocolor Helena Lobato. Mas, naquele dia, não era dia de vascaína. Maria de Lourdes Teixeira cravou só 2min44seg08, nos 200 metros nado livre para novíssimas. Enfim, não se vence sempre. Só uma tragedinha para as "Menininhas da Colina".

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

INFANTOS DA ESQUINA DA COLINA

A rivalidade no futebol carioca nunca se restringiu aos times principais. A garotada também beliscava as suas glórias, tirando um sarro com os vencidos. Assim era que a molecada do grande rival Flamengo gritava que já tinha os títulos estaduais de infanto-juvenil de 1956/58/59. De sua parte, os botafoguenses exaltavam as suas faixas de 1955/1957. Os vascaínos ficavam calados. Para consolo deles, dois outros grandes rivais, Fluminense e América, estavam em sua mesma situação, no time dos “sem taça”.    
Veio, então, a temporada 1960, a última do Estado da Guanabara. A gurizada da Colina foi lá na tabela do Campeonato Carioca e carregou o caneco. Estava quebrado o jejum. Mesmo inferiorizados em conquistas, em relação a rubro-negros e alvinegros, já haviam entrado para o “clube”.  Dava até pra gozar tricolores e americanos.
Carimbado o passaporte para mais uma glória no futebol da ‘Cidade Maravilhosa”, cinco anos se passaram e o Rio de Janeiro chegou ao seu IV Centenário. Ano de muitas festas e comemorações. Todos queriam ser campeões de tudo. E, é claro, no infanto-juvenil. Mas quem levou o título charmoso foi o Vasco da Gama.
Daquele time campeão, o lateral Ari e o atacante Adílson Albuquerque, irmão de Almir “Pernambuquinho”, chegaram a ser titulares. Bené, também, andou prometendo, mas não se firmou quando atuou pelo time de cima. Quanto ao Alcir que aparece nesta foto (reproduzida do livro “O Goleiro Acorrentado”, de Valdir Appel), não é o Alcir Portella, campeão brasileiro em 1974.
DETALHE: O futebol carioca criou a categoria infanto-juvenil para reunir a garotada de até 16 anos de idade. Em seguida, vinha a juvenil, até 18. Esta rolou entre 1922 a 1979, quando foi substituída pela júnior, e a idade limite dos “juva” desceu a 17. No meio disso aí, houve, também, a categoria dos aspirantes, criada em 1941, cedendo vez aos juvenis que estourassem a idade-limite. Com o passar do tempo, os cartolas abriram uma brecha para a inclusão de três atletas com mais de 23 anos, o teto da rapaziada. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

TRAGÉDIAS DA COLINA - FRIAÇA

Esta não é bem uma tragédia vscaina, pois o “tragedeiro”, na época,  não era vascaíno. Mas não deixa de ser, pois tem Vasco nas paradas e o carinha só estava fazendo um passeiozinho por fora da Colina. Voltou logo.
Aconteceu com Friaça, o autor do gol brasieiro na final da Copa do Mundo de 1950, durante os desastrosos 1 x 2 de 16 de julho de 1950, no Maracanã. Encerrada a maior tragédia nacional, o carinha ficou transtornato. Ele já era jogador do São Paulo, mas foi parar em São Januário. Não sabe como e nem porquê. “Não consigo atinar com quem me levou, ou como fui parar  por lá. Meu carro ficou no Vasco, minhas coisas também. É um mistério que não consigo compreender”, contou à “Manchete Esportiva” Nº 157 de 22 de novembro de 1958.
 Friaça tinha em Jair Rosa Pinto o seu protótipo de atleta profissional. “A Jair devo bastante do que sou. Procurei sempre guiar-me por ele, e ser como ele foi”, revelou ele, para quem esta seria a  Seleção Brasileira de todos os tempos: Barbosa, Augusto e Domingos da Guia;  Zito, Danilo Alvim e Nilton Santos; Tesourinha, Zizinho, Ademir Menezes Jair Rosa Pinto e Carrero
 PELADEIRO -  Friaça rolava a sua bolinha no futebol amador de Carangola, em Minas Gerais, sem sonhos nada mirabolantes. Como em toda cidade de interior, a vida corria tranquila para seus munícipes, em 1942, sem nenhum prenúncio de grandiosas novidades. Até 1943 chegar. Naquele ano, correu a notícia pela pacata cidade: o Vasco da Gama queria levar o melhor atacante da terra. E levou.
Albino Cardoso Friaça desembarcou em São Januário e mostrou que sabia muito mesmo daquele negócios de bola no pé . E na rede.  Comprovou o que dele se falava. Tanto que o São Paulo, ao precisar de um sujeito que colocasse a pelota pra dentro, apresentou um checão polpudo aos cartolas da Colina e o carregaram, em 1949. Friaça, porém, era um vascaíno. Dois anos depois estava de volta. Ficou até 1952, quando foi emprestado a um outro time com uma camisa quase igual, a Ponte Preta, de Campinas. Passou três anos servindo à Macaca, até mudar de lado, o do maior rival dela, o Guarani.
Como vascaíno, Friaça serviu à Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1947 e na Copa Rio Branco de 1948. Em 1949/50, vestiu a farda do selecionado paulista. De 1950, garaantia: “Se, naquela época, eu estivesse melhor de finanças, se tivessse alguma coisa firme... teria deixado de jogar. Nunca mais entraria numcampo de futebol”. (foto reproduzida deE WWW.CRVASCODAGAMA.COM.BR). Agradecimento.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

VASCO 2 X 1 DUQUE DE CAXIAS-RJ

Bernardo mandou dois beijinhos pra galera, no estilo "ah,eu tô maluco!"
 Mais uma vez, o “Time da Virada” pintou no pedaço. O Vasco venceu o Duque de Caxias, hoje, por 2 x 1, na casa do adversário, totalizou 16 pontos e classificou-se,  em primeiro lugar, no Grupo A, para as semifinais da Taça Guanabara. No sábado, a partir das 18h30, no Engenhão, enfrentará o Fluminense, jogando pelo empate, para decidir o troféu com o vencedor de Flamengo x Botafogo.
Pedro Ken encarou legal a 'maricota', mas não a jogou na rede
O Duque abriu o placar, aos 18 minutos, por intermédio de Charles Chad, e este foi o único gol da etapa. No segundo tempo, o Vasco empatou, aos 28. Carlos Alberto passou por dois zagueiros e chutou ao gol. Dakson pegou o rebote do goleiro Fernando, tentou o chute, mas Bernardo estava no meio do caminho para desviou a trajetória da bola e: 1 x 1. A virada saiu aos 34. Carlos Alberto cabeceou forte, após cruzamento. A pelota  tocou na trave e sobrou para  Bernardo desempatar: 2 x 1.
O jogo foi no  estádio Moacyrzão, que fica no Rio de Janeiro, apitado por André Rodrigo Rocha,  com o Vasco formando com: Alessandro; Nei (Elsinho), Dedé, Renato Silva e Dieyson (Dakson); Abuda, Wendel, Pedro Ken (Fellipe Bastos) e Carlos Alberto; Bernardo e Eder Luis.Técnico: Gaúcho.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O ALMIRANTE E A CAUDA DO DRAGÃO

Os contatos imediatos com o além falharam, professor!
 Baixinho, olhar invocado, fala macia. Caminhava quase parando. O carinha dizia que não era mago, mas enxergava o futuro, com a ajuda dos astros. Intitulava-se Professor Mirakof e previra, em 1945, que o Vasco seria campeão carioca, invicto. Se bem que depois de ver o ‘Expresso da Vitória” fazendo atropelamentos contínuos.
Em novembro de 1958, o elemento voltava a atacar. O Vasco liderava o Campeonato Carioca, com oito pontos perdidos, contra 10 do Botafogo e 11 do Flamengo, mas os seus contatos no além lhe diziam que, daquela vez, o caneco não iria para São Januário: Motivo: a ‘Cauda do Dragão’ ,que os antigos egípicios viam trazendo bons , ou maus fluídos, estava em oposição ao Vasco. Por causa daquilo, todas as pretensões do time do técnico Francisco de Sousa Ferreira, o Gradim, iriam pro espaço, com uma queda, por 1 x 3, ante o Botafogo.
O Vasco não perdia dos botafoguenses há 7 anos, os enfrentaria em 7 de dezembro e pegaria pela frente um camisa 7 endiabrado, o Mané Garrincha. E não foi que os astros pasaram por perto! Com gols do artilheiro e Quarentinha e do genial Didi, o Botafogo mandou 2 x 0. Após sete anos de invencibilidade diante da “Estrela Solitária”, Miguel, Paulinho de Almeida, Bellini, Orlando, Coronel, Écio, Sabará, Rubens, Almir, Roberto Pinto e Pinga levaram uma porrada da “Cauda do Dragão”. Mas não deu pra matar.
Se os astros diziam ao Professor Mirakof que o Botafogo seria bi, parecia que não dava para duvidar. Afinal, em 3 de janeiro já de 1959, na fase final do Cariocão, o time alvinegro de General Severiano voltou a usar a “Cauda do Dragão” e mandou uma nova porrada no agora freguês: 1 x 0. Com duas vitórias consecutivas, já pensava em encomendar o chope. Só que esqueceu de combinar com a “Turma da Colina”. Uma semana depois, o “Almirante” se arretou com aquela história de ficar freguês do velho freguês, e o afogou no gramado do Maracanã: 2 x 1. terminou “SuperSuperCampeão”, com a suas estrelas mantendo contatos imediatos com os caminhos astrais das redes e encaçapando a “Cauda do Dragão”.
Na partida do prmeiro turno, o Vasco havia vencido, por 3 x 2, mantendo um tau de 7 anos de invencibilidade 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

MARTIM FRANCISCO - PLANO-58

O treinador vascaíno campeão carioca em 1956,  Martim Francisco, assegurava ter partido dele  a proposta de trabalho da Seleção Brasileira para o Mundial da Suécia. Contava que a Confederação Brasileira de Desportos (CBD, atual CBF) solicitara a colaboração dos treinadores do país, mas só ele atendera ao apelo, tendo entregue o seu trabalho a Ibrahim Thebet, na presença do presidente vascaíno, Artur Pires.
-  O Ibrahim o levou, ao Sílvio Pacheco (vice-presidente) da CBD, garantia.
Na cópia do documento que Martim guardava, ele escreveu: “São inúmeros, quase intermináveis mesmo, os problemas que envolvem o futebol brasileiro. Somos, via de regra, eivados de vícios e suposições que nos distanciamos, dia que passa, das lições emanadas dos grandes centros do desporto internacional. Não nos preocupamos mais em aprender coisas novas e instrutivas.  Talvez, não sabemos, por autosuficiência ou comodidade. Normalmente, o homem do esporte trabalha até obter o sucesso, depois do que estaciona, vivendo do passado Entende, desnecessário especular, observar, estudar. Por isso, quando novas ideias surgem, despontam como aproveitáveis, as criticas que se fazem prontas no sentido negativo, raramente encontrando receptividade. Em razão, muitas vezes,  de tal ocorrência é que deixamos de apresentar trabalhos sobre futebol para os estudos convenientes quanto à possibilidade de aproveitamento. Mas “arriscamos-nos a nós” e passamos a produzir. Há de existir alguém que, mercê do esforço e experiência, poss alcançar nosso objetivo de colaborar, desprentensiosamente, sem o desejo a cargos, com o desporto nacional”.
 O PROGRAMA – “Falaremos de selecionado, de representações que enviamos ao exterior para defender nossas cores. E o faremos baseados nos grandes exemplos colhidos nas viagens que empreendemos  à Europa e à América do Sul, preliando com adversários da melhor envergadura e categoria técnica. Contudo para tratarmos do assunto a que nos propomos, faz-se imprescindível abordar aspectos internos do futebol brasileiro.
Fala-se de sistemas, táticas, chaves, individualismo conjunto e liberdade de ação, a  fim de que o jogador possa preliar à vontade, impondo suas caraterísticas pessoais. Fala-se demais, convenhamos. A questão é apresentar a solução como complemento à crítica. Não ata falar apenas. O jogador pode, perfeitamente, atuar à vontade, dentro de um planificação tática. É questão do técnico idealizar, considerando sempre o adversário, a evolução tática às características do executante.
Quando o sistema é aplicado ao jogador, não há problema de adaptação. Nunca tivemos tal problema. Eis a razão pela qual diversos jogadores considerados medíocres se transformam ascensionalmente, quando da substituição do técnico ou quando se transferem de agremiação. Assim também o caso dos selecionados. Dizem – estamos a ouvir sempre – que determinados atletas não produzem o que sabem nas seleções nacionais, sem que atinem com os motivos. Levam normamente o caso para o lado de falta de sorte ou complexo. Maneira fácil de esclarecer diante da ausência de argumentos lógicos e incisivos”.
SENSO DE CONJUNTO – Falam muito, falam demais. Poucos, entretanto, argumentam. Falam que o futebol é conjunto. Disso sabemos, Mas não como entendem. Comparam os jogadores em campo, a exemplo da sociedade, com os grupos -  que o entendimento, o conjunto vêm naturalmente, em razão da necessidade precípua de auxilio mútuo.  Esquecem-se, todavia, que os grupos que se formam para compro uma sociedade não prescindem do chefe, do guia, o orientador, o líder. Um se salienta entre os demais  e os conduz aos ideais, traçando normas e distribuindo setores de atividades. Também no futebol o técnico é o orientado, o líder o guia, o chefe. Distribui as atividades dos jogadores e os conduz planificadamente aos seus objetivos traçados por meio da preparação estratégica. Na sociedade, até mesmo a rudimentar dos índios, os grupos lutam por conquistas e seus chefes planificam com astúcia e malícia como superar os obstáculos”.         

 

 

   

  

 

 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 1

  Martim Francisco Ribeiro de Andrada poderia ser um bom nome para um conto que coubesse, digamos, um Visconde de Barbacena. Ou, esportivamente, um patrono da Federação Mineira de Futebol. Certamente, o sobrenome abriria rotas para um escritor traçar os mais diversos meandros imperiais. Se bem que o dito cujo jamais viveu fora de tempos republicanos, por este país.
  Como todo menino brasileiro, Martim rolou a sua bolinha pelo meio da rua. Aos 13 anos, era goleiro infantil do Olimpíque, da sua Barbacena. Saiu, deu uma voltinha, pelo Juventus, e voltou. Mas um acidente o tirou dos gramados. Além do mais, um Andrada daqueles tempos mais modernos teria que frequentar os bancos universitários. No seu caso, apanhou um canudo e foi cuidar da alma dos homens, como professor de psicologia, sociologia, filosofia, pedagogia, esses lances.
Martim labutava com os mistérios das alma. De repente, o professor  sentiu necessidade de mais emoções. O magistério não lhe oferecia tanto. Lembrou-se de que, em 1948, quando era estudante, no Rio de Janeiro, fora ao Fluminense pedir ao treinador uruguaio Ondino Viera que lhe ensinasse a engenharia tática de uma partida de futebol. Seria por ali, imaginava a sua próxima rota.
  Os anos dourados chegaram. Em 1950, o ex-professor Martim Francisco começava a nova década com atividade nova: diretor do Departamento de Interior da Federação Mineira de Futebol. Estava de volta para uma velha paixão. Com ela, chegou a ser assistente-técnico de Urbano Santos, o “Campeão”, na seleção amadora mineira. Logo, em 1951, ele dissera a que viera: assumiu o comando de uma equipe de futebol profissional, pela primeira vez, e terminou a temporada campeão estadual, com o Villa Nova, de Nova Lima, surpreendendo os “grandes” Atlético, Cruzeiro e América.
"E por aqui! Vamos mudar a história!"
Com todo aquele sucesso, Martim Francisco foi requisitado pelo Siderúrgica, que, também, queria ser campeão mineiro.  Só que o seu time (era da cidade de Sabará) não tinha jogadores como Escurinho e Lito, que Martim descobrira no grupo do ”Leão do Bonfim”. No máximo,  conseguiu um vice. E foi até demais. 
VENENOSO - Campeão estadual, em 1951, e vice, em 1952,  ninguém mostrava mais veneno do que Martim Francisco para dirigir uma seleção mineira de novos, que encararia os cariocas, naquele 1952. Levou a rapaziada ao Rio de Janeiro e voltou a Minas com a vitória. Grande feito! A ponto de deixar a turma do Clube Atlético Mineiro ligadíssimo nele. E, assim que 1953 pintou, foi buscá-lo. Martim ganhou o título estadual da temporada, para, em 1954, ser intimado a dirigir a rapaziada das alterosas que disputaria o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, a maior competição nacional da década. Passou, invicto, pelo torneio, até este ser suspenso.
 Minas Gerais estava ficando pequena para Martim Francisco. O Rio de Janeiro e o América Futebol Clube lhe acenavam com novos horizontes. Claro que ele topou. A parir de abril de 1954, a sua novíssima missão seria acabar com aquela história de time “tico-tico no fubá”. Teria de fazê-lo bater na rede.      
  Além de trabalhar atletas, Martim Francisco era um consumidor de literatura esportiva. Chegou a reunir 650 livros, para estudos, dos quais tinha predileção pelo espanhol  “El preparador técnico” e o argentino “Táticas y técnicas”. E estudando muito  chegou ao time americano, elegendo duas táticas fundamentais (a do terceiro zagueiro, de Kisrchner, e o WM, de Chapman). No mais, deixou claro que intromissões de cartolas no trabalho do treinador era um dos grandes entraves do futebol brasileiro. 
Com Martim Francisco tocando fogo, o “Diabo”, fez um chamegante Campeonato Carioca-1955. Decidiu, com o Flamengo, foi vice, mas seu time encantou a galera. No final do ano, entrou em rota de choque com a cartolagem americana, do que se aproveitou o Vasco para levá-lo.

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 2

Em 1956, os organizadores da Pequeña Copa del Mundo, que a Federação Venezuelana de futebol promovia, chamando só clubes colocados entre  os quatro primeiros de sua liga nacional – o Vasco fora o terceiro do Campeanto Carioca de 1955 – pensavam em formar uma seleção, incluindo, como convidados, os vacaínos Danilo Alvim, Maneca, Ademir Menezes e Chico Aramburu. Terminaram levando o time inteiro, para correr atrás do Troféu Marcos Pérez Jiménez, em homenagem ao presidente do país.
Para Martim Francisco, uma ótima oportunidade de trabalho com uma rapaziadaque iniciaria as disputas do Campeoanto Carioca, dentro de três semanas. Poderia testá-la diante de adversários poderosos, como o espanhol Real Madrid-ESP, o português Porto e a italiana Roma. A estreia, porém, em 1º de julho, fora desanimadora. Caira, fragorosamente, por 5 x 2, ante os espahóis.
  Ainda bem que a equipe se recuperara, dois dias depois, com 3 x 0 nos portugueses. Passados mais quatro dias, outra grande vitória: 3 x 1 sobre os italianos. Boa reação, seguida, 72 horas depois, de um segundo tropeço, ante os portenses: 0 x 1. No entanto, no dia 14, voltara a vencer a Roma: 2 x 1.

Martim soltou fumaça pra cima do merengues do Real Madrid
 Com tais resultados, o Vasco classificou-se para decidir o torneio, contra o Real Madri, no dia 18. Daquela vez, errou menos e empatou, por 2 x 2. Ficou vice, mas o venezuelanos gostaram tanto da partida que pediram um repeteco – amistosamente, é claro.
Tudo bem, o Vasco topou. E, na sexta-feira, 20 de julho daquele 1956, voltou ao Estádio Universitário de Caracas, para mandar 2 x 0 nos “merengues”, deixando Martim Francisco com a visão de que tinha time para ser campeão carioca.
Para o terceiro jogo em 20 dias, Martimo armou um time mais seguro e encostou a rapaziada no cantão, com um discurso animador:
– Vocês já jogaram contra eles, sabem o que vem por aí. Portanto, não aceito repetição de pixotadas. Com certeza, eles etarão muito confiantes, por causa da goleada que nos deram. É hora de fazermos um servicinho com estes gringos. Só depende de vocês. Vamos encarar, sem medo. E bola pra frente, pediu.
A moçada não precisava ouvir mais nada. Ficara confiante com aquele saculejo moral do “professor”. Sem mais o que dizer, Martim Francisco mandou pra campo uma equipe formando com Wagenr no gol. Dario e Coronel pelas laterais. No miolo da zaga, Orlando e Haroldo, cobertos por Laerte. Na frente, Sabará, Válter Marciano, Livinho, Artoff e Pinga – no decorrer da partida, entraram Cléver, em lugar de Orlando, e Beto, no de Coronel.
 Se esperava a mesma moleza dos 5 x 2 da primeira rodada da Pequena Copa do Mundo, o Real viu, logo, que o riscado seria bem diferente. E nem seria, também, como daquela vez em que armou um verdadeiro selecionado espanhol, para bater o Vasco, por 4 x 2, tempos atrás, em Madrid, também, amistosamente. Resumo da ópera: com gols de Válter e de Artoff, o Vasco deixou o garmado aplaudido pela torcida venezuelana. Naquele dia, as palmas não foram para Di Stefano. 

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 3

Dulce (C) topou organizar a torcida e Martim prometeu o título
  Em 1956, o Vasco tinha uma torcida uniformizada, mas não organizada. Entre os participantes ativos estavam Domingos Ramalho, Tião, Zé Fonseca, Dulce Rosalina,  Madame Bastos, Idalina, Teresinha, Aída, Marina, Hilda,  Marlene, Conceição, Ermelinda e Norma Uchoa, principalmente.  
Aquela turma empurrara, tremendamente, o time, na vitória, por 2 x 1, sobre o Flamengo, na tarde do domingo 18 de março, deixando o treinador Martim Francisco deslumbrado com a força que saía das arquibancadas. Martim ainda era treinador do América, que levara ao título do terceiro turno do Campeonato Carioca, na véspera. Como andava brigado com o “Diabo” e já estava enfeitiçado pelo “Almirante”, no dia seguinte, compareceu ao vestiário vascaíno, após os 2 x 1 sobre os rubro-negros – dois gols de Pinga.
  Depois do clássico, Erasmo Porto apresentou Dulce Rosalina a Martim Francisco. Ele pediu-lhe: “Organizem a torcida, que eu darei o campeonato ao Vasco”. Dois dias depois, ele mandava o “Diabo” para o inferno e seria anunciado como treinador da “Turma da Colina”, substituindo Flávio Costa.  Tão empolgada quanto ele, a patota levou a sugestão a sério e, rapidamente, se estruturou. Entre outros cargos, Fonseca ficou tesoureiro; Idalina vice-presidente; Madame Bastos diretora social e Ramalho seguiu como uma espécie de maestro, mandando clarinadas em um canudo de mamona. Do lado da diretoria, João Silva era um colaborador. E, assim, pelo incentivo do treinador, surgiu a primeira mulher brasileira chefiar uma torcida de clube de futebol, Dulce Rosalina, até hoje considerada a torcedora-símbolo do Vasco.
 Antes de Dulce, um torcedor apelidado poro Margarida era quem liderava. Ele andava triste, pela perda do pai, e afastou-se do ofício. Foi então que outros torcedores-símbolos, como Tião e Ramalho, e até o presidente vascaíno, Arthur Pires, convocaram Dulce para suceder o amigo tristonho. Naquele mesmo 1956, ela passou a dirigir a Torcida Organizada do Vasco. Criou concurso de baterias e lançamento de papel picado pelos estádios à entrada do time no gramado. Martim Francisco recebia aquilo como um grande incentivo à equipe, que tinha no zagueiro  e capitão Hideraldo Luiz Bellini o atleta mais admirado pela galera. “Foi o ídolo que deixou mais saudade”, declarou Dulce à Revista do Esporte.

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 4

  O apoio da torcida organizada a Martim Francisco cresceu após uma vitória, de virada, por 3 x 2, após o Fluminense fazer 2 x 0, no primeiro tempo. “Foi o jogo mais emocionante que assisti”, contou Dulce Rosaslina à  revista "manchete Esportiva", sobre aquele clássico - Livinho (2) e Valter Marciano bateram na rede. 
A temporada oficial carioca de 1956 começara com o Flamengo candidato ao tetra. O Vasco, porém, queria impedir as pretensões do seu maior rival, sobretudo, porque estava há quatro anos na fila para voltar a ser campeão. Como as pressões políticas internas eram grandes, trocara de treinador e mandara Martim Francisco arrumar a casa durante uma excursão à Europa. O time estreou no Estasdual goleando a Portuguesa, por 4 x 0. Mas enganchou no Botafogo, 0 x 0, na segunda rodada. Animou a torcida, mandando 4 x 1 sobre o Madureira e 2 x 0 em cima do Canto do Rio, pelas partida seguintes. Mandava avisar que estava na briga pelo caneco. Então, veio a tarde de 26 de agosto, no Maracanã, quando Telê Santana e Valdo abriram uma boa dianteira para os tricolores, com 21 minutos de jogo. Nas arquibancadas, Dulce, Norma, Ramalho, idalina, Fonseca, Hilda, Tião, Marlene,  toda a galera se entreolhava, sem entender o que se passava com a rapaziada. Ainda bem que ficou só por aquilo, no primerio tempo.
Veio uma nova fase e, rapidamente, viu-se um outro Vasco no jogo. Martim recuou Pinga, levando o lateral-direito tricolor Cacá para o meio do campo. Com isso,  Vavá ocupava o espaço deixado pelo ponta-esquerda, obrigando o zagueiro central tricolor Pinheiro a ir atrás dele. Do outro lado, Livinho arrastava o quarto-zagueiro Clóvis, para o outro flanco. Além disso, o ponta-direita Sabará prendia Paulinho na lateral, para Válter e Laerte pegarem um corredor aberto.  Santa tática. O Vasco virou o placar, para 3 x 2, com Telê, o coração tricolor, anulado. A partir daquela demonstração de força, o time engrenou e, até o final do Carioca, só perdeu uma, na terceira rodada do segundo turno (0 x 1 Flamengo). Martim cumprira a sua promessa, com 16 vitórias, quatro empates e só duas quedas. Estava acabado o jejum de quatro temporadas.
O América não parou o  Vasco de Martim Francisco. No Carioca-1956, caiu nas duas partidas

IMPRESSIONANTE - Treinador campeão carioca, com o Vasco da Gama, em 1956, aos 28 anos de idade, Martim Francisco impressionava ao maior teatrólogo do país, Nélson Rodrigues, colunista da “Manchete Esportiva”, pela maturidade de sua juventude. Em seu texto da edição Nº 58, de 29 de dezembro de 1956, ele dizia que, em tal altura da vida, o jovem vivia o dilema, de ser gênio, ou boboca. E não via a menor coerência entre a idade física e o interior do treinador mineiro, o qual entendia “escondendo um considerável lastro vital”.
 Martim chamara a atenção de Nélson por um detalhe atávico: se o seu antepassado José Bonifácio fora o patriarca da independência brasileira, ele era do espírito campeão da sua equipe. “Não foi, jamais, e estritamente, um técnico de bola. ... se impôs, aos seus comandados, desde o primeiro instante, pelo seu jeito patriarcal... O time do Vasco vive debaixo da sombra larga e cálida de Martim Francisco”, via Nélson, que o considerava um “técnico de alma”. Em sua opnião, para se destacar como treinador, Martin Francisco precisou, antes, vencer como psicólogo. “O técnico tem que ser um consultório sentimental para o craque. Do contrário, não dará, nunca, ao seu time, o élan de um campeão”, filosofava, acrescentando que seu elogiado acudia e resolvia os problemas íntimos de cada atleta, o que, por sinal comentara o capitão Bellini, o mais respeitado atleta de todos que já passaram por São Januário.
Campeão carioca, com uma rodada de antecedência, o Vasco de Martim Francisco fora visto por Nélson Rodrigues sem jamais lhe faltar o impulso para a vitória, ou a luta. “O colapso técnico não era acompanhado pelo colapso de alma”, analisou, em referência às duas derrotas e quatro empates ao longo de 22 jogos, dos quais 16 vencidos. “... cada partida do Vasco tem sido uma lição de amor ao clube. E o que tudo isso, senão o trabalho de Martim Francisco, que soube amadurecer o coração dos seus jogadores para a vitória?”
De sua parte, o repórter Ney Bianch vira o Vasco-1956 de Martim Francisco como o grande clube que passou mais apertado, mas, também, ”o único que soube se desapertar em todas as ocasiões”. E imputava ao fato de o treinador manter uma formação imutável, por todo o primeiro turno, o grande passo para o sucesso, citando como exemplo as três maiores pedreiras da etapa: a virada, sobre o Fluminense (3 x 2), após sofrer dois tentos; a pancada (3 x 1) em cima do América, base da Seleção Carioca, e o empate (1 x 1), com o Flamengo.
Ao mesmo tempo em que via o Vasco abrindo a porta da perseguição aos seus planos, Bianchi o via, no returno, “marcado, escolhido para a glória”. E sentenciava: “ ... a força desconhecida que a predestinação lhe votava é que o impulsionava...” De sua parte, Martim Francisco, respondia que tudo tinha uma explicação: “A alma do Vasco são os jogadores do Vasco”.
BALANÇO DO TEMPO - Antes de ser campeão carioca-1956, Martim Francisco passara por momentos difíceis, com a sua turma. Entre 31 de março e 25 de abril de 1956, o presidente Arthur Pires mandou o seu time disputar de 10 amistosos em gramados europeus – fez cinco partidas, em nove dias, na Turquia. Resutlado: um giro com seis derrotas, um empate e só três vitórias, sem poder contar com quatro titulares – Artof, Livinho, Pinga e Vavá, contundidos, e Paulinho de Almeida, Bellini e Sabará, convocados para a Seleção Brasileira. Confria o cartel: 31.03.1956 – Vasco 2 x 5 Anderlecht-BEL; 05.04 – Vasco 2 x 5 Seleção da Áustria; 07.04 – Vasco 2 x 0 Besiktas-TUR; 08.04 – Vasco 0 x 2 Fernebhacen-TUR; 11.04 – Vasco 1 x 0 Galatassaray-TUR; 14.04 – Vasco 3 x 4 Ankara-TUR; 15.04 – Vasco 3 x 1 Besiktas-TUR; 18.04 – Vasco 0 x 0 Estrela Vermelha-IUG; 22.04 – Vasco 2 x 4 Lazio-ITA; 25.04 – Vasco 0 x 2 Grasshoppers-SUI.
Já que tivera de obedecer a quem mandava, Martim Francisco aproveitou a viagem para estudos. Dois anos depois, enviou um documento à então Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF), no que ele afirmava ter sido o seu plano para a Copa do Mundo de 1958, “seguido pela entidade”, jurava:
-  Foi uma proposta de trabalho para o Mundial da Suécia. A CBD solicitara a colaboração de todos os treinadores do país, mas só eu lhe atendi. Entreguei o meu trabalho a Ibrahim Thebet, na presença do presidente vascaíno, Artur Pires, contava, acrescentando:  O Ibrahim o levou, ao Sílvio Pacheco (vice-presidente) da CBD.

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 5

 Em 1957, Martim Francisco comandou a mais brilhante excursão cruzmaltina por gramados europeus. O giro começou pelo continente centro-americano, em Curaçao, vencendo o Willmestad, por 2 x 1. Cinco dias depois, a turma foi aos Estados Unidos, espatifar o Hakoah, em Nova York-EUA: 6 x 1. Só  então o rolo compressor rolou pelo "Velho Mundo". A rapaziada foi mostrar como se esbagaçava, primeiramente, durante o Tornei de Paris, concedido para ser a grande referência das competições internacionais. Se ainda não havia mundiais interclubes, aquele, com certeza, o seria.
  Os franceses esperavam tirar o chapéu para o bicampeão europeu Real Madrid, que deslumbrara seu continente pelas temporadas 1955/56 e 1956/57. O anfitrião, o Racing Clube de Paris, um dos melhores times da França, e o campeão alemão-1955, o Rot-Weeiss Essen, não deveriam ser problemas para os espanhóis. E nem o Vasco, único clube sul-americano a conseguir vencê-los. Seria pouco provável, imaginavam os torcedores franceses.
A primeira rodada foi em 12 de junho. E bastou o primeiro tempo para a torcida presente ao Parc des Princes aplaudir os vascaínos. Por sinal, se eles caprichassem mais, não teriam ficado só no gol marcado por Livinho,m naquela etapa.  Mas chegaram aos 3 x 0, entre os 13 e os 22 minutos da fase final, com Pinga e Vavá carimbando o barbante parisiense. E o anfitrião foi batido, sem problemas: 3 x 1.  Mais sem problemas ainda, o Real Madrid mandara 5 x 0 pra cima dos alemães. Di Stefano, Kopa, Gento, Santamaria e toda a ttrupe fez o que dela se esprava. Até então, Válter Marciano, Ortunho, Sabará, aquela turma vinda dos trópicos, mesmo com um show de bola contra os donos da casa, continuava simples ilustre desconhecida. Até  a noite do grande 14 de julho de 1957, quando colocou o adversário favorito na roda.
AVISO DO PROFESSOR - Nas arquibancadas, a torcida francesa aguardava por mais um show merengue. No vestiário vascaíno, Martim Francisco chamou a moçada para um novo plá. E lembrou:
- Vocês ganharam deles, no ano passado (na Venezuela).  Dá pra ganhar de novo? Claro que dá. Eles viram do que vocês são capazes. Nada de medo, pois o medo que vocês terão deles será o mesmo que eles terão de vocês. A turma deles pode ser boa pras cabrochas deles. Pra cima da gente, não. Não mesmo! Quero time chegando primeiro, em todas as bolas. E partindo pra matar. O Vasco tem que ser mais Vasco. Só isso!
O Real pintou no gramado aplaudidíssimo. Levava Alonso, Torres e Marquitos; Lesmes e Muñoz; Ruiz e Mateos; Kopa, Di Stefano, Rial e Gento – depois  entraram Santamaria, em lugar de Marquitos, e Marshall, substituindo Rial. Martim Francisco alinhou a sua equipe com: Carlos Alberto Cavalheiro, Dario, Viana e Orlando Peçanha; Laerte e Válter; Sabará, Livinho, Vavá e Pinga. O time espanhol começou a sua festa nas redes vascaínas aos quatro minutos de bola rolando. Viana bobeou e Di Stefano encaçapou: 1 x 0. De repente, uma surpresa: o Vasco passou a dominar. Aos 20 minutos, Dario serviu Ortunho, que lançou Pinga, que foi à linha de fundo e cruzou para trás, onde estava Válter Marciano, que igualou o placar: 1 x 1. Passados mais 12 minutos, Pinga voltou a aprontar. Da esquerda, lançou Vavá, dentro da área. E o pernambucano desempatou: 2 x 1. E o Vasco passou a ganhar a preferência da torcida francesa.
- Tá bom, tá bom! É só manter o ritmo e a seriedade. Vamos repetir tudo no segundo tempo. O jogo tá pra gente -  foi a única impressão de Martim Francisco, no vestiário, durante o intervalo. Ele preferia deixar a turma descansar, a desgastá-la com papos desnecessários.
Mesmo com a recomendação do treinador, a zaga vascaína bobeou, no início da etapa final. Kopa lançou e Mateos empatou: 2 x 2. Pouco depois, os dois times resolveram trocar a bola pelo braço. Passaram 10 minutos na porrada, temo mais do que suficiente para o “armário” Ortunho botar todo o time espanhol pra correr. De quebra, ainda quebrar Mateos.
Serenados os ânimos, a bola votou a rolar. Aos 21 minutos, Válter Marciano mostrou  que não era deste planeta. Enfiou um passe, de curva, para Livinho encobrir o goleiro Alonso e escrever: Vasco 3 x 1. Os aplausos crescam a cada jogada bonita do time. Aos 39 minutos, Válter humilhou: 4 x 1. O Real Madrid estava desmoralizado. Além de entrar na roda, ainda apanhava na bola e no braço. Quando nada, ainda fez um gol, aos 44 minutos, caíndo, por 4 x 3.
No dia seguinte, Martim Francisco comprou o jornal “L´Équipe” e leu que “onze diabos negros tomaram conta da bola”.. e que ... “a impressão que se teve foi a de que o campeão da Europa estava aprendendo a jogar futebol”. Quando ele ia mudando de página, o zagueiro Brito encostou o rosto, para olhar, e brincou:
- O que é que fala de mim aí, chefe?
Martim Francisco brincou:
- Você jogou? Nem vi. Aliás,  nem eu e nem todo o estádio.
Depois, arrumou as coisas com seu jovem zagueiro:
- Meus parabéns. Tomou conta, direitinho, do chefe deles (se referia a Di Stefano, que Brito marcara, entrando em lugar de Viana, perto do final da partida – a outra substituição fora Joaquim Henriques, na vaga de Ortunho, por motivos “pugilísticos”.

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 6

Derrubado o mito do invencível Real Madrid, o Vasco de Martim Francisco humilhou mais outros espanhóis. Mas na Espanha. Em 16 de junho daquele auspicioso 1957, mandou 4 x 2 no Athletic Bilbao, para carregar o Troféu Teresa Herreza, disputa tradicional, desde 1946, em homenagem à espanhola Teresa Margarita Herrera y Posada, que dedicara a vida (1712-1791)  à caridade, além de doar todos os seus bens para a construção do Hospital Dolores, em La Coruña.
Antes do prélio, no vestiário, Martim falou pra rapaziada:
– Lá em minha terra, o ‘minêrim’ da roça  diz que, quem conversa muito, dá bom dia a cavalo. E, já que vocês não são muares e nem equinos,  e nem eu dou bom dia a suíno, quero aproveitar esta boa oportunidade pra ficar calado. Não tenho mais o que falar. Só recomendiomanterem o espírito de luta do jogo passado (vitória sobre o Real Madrid). Se fizerem isso, já tá bão demais, sô!  
Martim Francisco não falava “bão” e nem “sô”. Muito provavelmente, mostrara-se brincalhão e amineirara a conversa para o papo do matuto de sua terra fucionar como elemento psicológico. E foi mais além naquela preleção:

Quem esperou pra ver, viu Martim Francisco fazer muito sucesso com o Vasco
- Livinho, como você é meu patrício (é de Governador Valadares), lhe farei um pedido, que poderia ser pro Válter, que é nosso vizinho, alí de São Paulo, gente boa, também. Vi umas prateleiras vazias, lá em São Januário. Acho que o pessoal está precisando de umas taças, pra encher aquilo. Vamos colaborar, conterrâneo? Senão, o cara que limpa aquela sala vai perder o emprego. Sem taça pra limpar, vai fazer o quê?    
Todos os atletas caíram na gargalhada. Principalmente Brito. E a turma foi à luta. Com gols de Vavá (2) e de Válter  (2),  mais uma vitória foi traçada pela moçada, que era: Carlos Alberto; Dario, Viana, Orlando e Ortunho; Laerte e Válter; Sabará, Livinho, Vavá e Pinga – após Vasco 4 x 3  Real Madrid e Vasco  4 x 2 Atlétic Bilbao, o time fez mais estes amistosos: 3 x 1 Valência (20.06); 7 x 2 Barcelona (23.06); 2 x 1 Valência (26.06); 5 x 2 Benfica-POR (30.06) e 3 x 1 Espanyol (03.07).
BOLA FORA - Com mais de um mês longe de casa, a turma do Martim já contabilizava muitos dólares no bolso, provenientes de bons "bichos", pelas dez vitórias conquistadas. Mas havia um problema: ninguém aguentava mais ver a cara da bola. Todos sentiam-se estafados. Mesmo assim, o Vasco os obrigou a jogarem mais. Na então União Soviética. E lá foram, para três amistosos e três derrotas: 1 x 3 Dínamo Kiev; 1 x 3 Dínamo Moscou e 0 x 1 Spartak Moscou. Pra completar os vexames, o time vascaíno chegou mais cansado, ainda, da viagem Moscou-Rio de Janeiro, para estrear no Campeonato Carioca, em 21 de julho, em um clássico, contra o forte Fluminense. Sem tempo para se preparar, o "Almirante" afundou de vez: foi goleado, por 2 x 5.
CANECOS CONTINENTAIS -Além de ganhar torneios internacionais pela Europa, Martim Francisco ajudou o Vasco a carregar canecos, também, pelo continente sul-americano. Em 1957, por exemplo, foi buscar taças no Peru e no Chile.
No Torneio de Santiago, também chamado de Torneio Internacional do Chile", no primeiro jogo, o Vasco venceu o uruguaio Nacional, em 16 de janeiro, por 2 x 1, com gols de Laerte e de Válter Marciano. Passados três dias, decidiu e venceu o local Colo Colo, por 3 x 2, com gols marcados por Válter (2) e Livinho. O técnico Martim Francisdo usou esta formação-base: Wagner, Ortunho e Bellini; Orlando, Laerte (Clever) e Coronel; Sabará, Livinho, Wilson Moreira, Válter e Roberto Pinto.
Depois de vencer em Santiago do Chile, o vasco foi ganhar o Torneio de Lima. Bateu o Municipal, por 4 x 3, em 23 de janeiro; o Sporting Cristal, por 1 x 0, três dias depois, e o Universitário, por 3 x 1, no dia 31. Na estreia, Livinho (2), Sabará e Válter Marciano compareceram ao barbante. No segundo jogo, o goleador foi Laerte, enquanto Livinho, Váler e Artoff fizeram o serviço na última parida. O time-base foi: Wagner, Ortunho e Bellini; Orlando, Laerte e Coronel; Sabará, Livinho, Wilson Moreira, Válter e Roberto Pinto (Artoff). A conquista reafirmava o prestígio adquirido pelos cruzmaltinos em gramados peruanos, a partir de 20 de março de 1954, quando venceram os Combinados Universitário/SportBoys, por 1 x 0; Sucre/Sporting Tabaco, por 1 x 0 (24.03) e Municipal/Centro Iqueño, por 3 x 0 (27.03).
Mesmo conquistando dois torneios importantes no exterior, Martim Francisco não chegou até 1958, como treinador vascaíno. Assim como do América, não saiu bem de São Januário. Sem mais, nem menos, trocou a Colina pelo Parque São Jorge e foi dirigir o Corinthians, querendo abrir mercado no futebol paulista. Voltou, é verdade, mas sem o mesmo sucesso.  

 
 

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO -7

 Entre 1956 e 1958, o Vasco e o Real Madrid estiveram entre os melhores times do planeta, principalmente, o espanhol, pentacampeão europeu e tetra nacional. No início da década-1960, os cariocas já eram bem inferiores ao que haviam sido, enquanto os merengues mantinham a sua força. Eles voltariam a se enfrentar, em 8 de fevereiro de 1961, daquela vez, no Maracanã, onde o maior público, até então,  fora 199.854 (173.850), no 16 de julho da final da Copa do Mundo der 1950.
Cruzmaltinos e merengues iriam para o quarto duelo, valendo o desempate, já que constava uma vitória para cada lado e uma igualdade – RealoMadrid 5 x 2 e 2 x 2, e Vasco  2 x 0 e 4 x 3.  No entanto, alguns historiadores viam os visitantes na frente, por conta de um amistoso, em 31 de maio de 1956, que os vascaínos não incluíam na estatística, poque o Real, que  promovia a despedida de  Luis Molowny, convidara atletas de vários clubes e formara uma autêntica seleção, contando com Wilkes, do Valência; Kubala, do Barcelona; Collar e Migiuel, do Atlético Madrid, e o francês Kopa, que seria seu futuro craque, mas ainda defendia o Reims.
Martim Francisco voltaria a encarar o Real Madrid, em sua segunda passagem pelo Vasco. O timeera o quinto colocado do Campeonato Carioca, mas seus torcedores achavam que daria pra encarar, em casa, o assombroso Real Madrid. E mais de 140 mil foram ao estádio, dos quais 122.038 pagando e proporcionando o maior público de um jogo de clubes sul-americano, até ali. Quando o árbitro argentino Juan Brozzi chamou os capitães Bellini e Gento para  sortear a saída de bola,  dezenas de fotógrafos lotavam o gramado. Nenhum, porém, conseguia fazer Di Stefano posar. O estrelismo do Real Madrid era tamanho que seus atletas nem cumprimentaram os anfitriões. Por protocolo, só os presentearam, com relógios de ouro – em troca, receberam flâmulas vascaínas.

BOLA ROLANDO - O Real tinha Del Sol e Puskas, pela meia esquerda, deixando a direita para penetrações de Vidal e Canário, que infernizava a vida de Coronel. Aos poucos, Di Stefano foi mostrando precisão nos passes, inteligência nos deslocamentos e fazendo corridas inesperadas, livrando-se dos marcadores. E distribuindo ordens. Seu treinador nem se manifestava, ao contrário do estreante técnico cruzmaltino, Martim Francisco, que gesticulava e berrava muito, segurando os suspensórios.

Martim apitou legal para a sua rapaziada  
Com futebol rápido e brilhante, o Real Madrid agradava. Aos 14 e aos 15 minutos, fez 2 x 0, com gols de Del Sol e Canário. Reclamando muito do calor da noite carioca, os merengues saíram para o intervalo, recebendo água mineral em suas cabeças. Para o segundo tempo, uma novidade: o árbitro usando camisa amarela, substituindo o tradicional preto total da etapa inicial, sugerido pelo "bandeirinha" Alberto da Gama Malcher – Eunápio de Queirós foi o outro – , para não ser confundido com os donos da festas.
Dada a nova saída de bola, quem esperava por uma goleada do Real Madri viu o Vasco se superar. Aos sete minutos, Casado marcou um gol contra. Aos 17, Pinga empatou, cobrando pênalti, sofrido por Delém. Depois, a torcida vaiou Di Stefano, quando ele foi substituído. E o duelo ficou 2 x 2, com o Vasco sendo: Humberto Torgado (Miguel); Paulinho de Almeida, Bellini e Coronel: Écio e Orlando; Sabará, Delém, Wilson Moreira, Lorico e Pinga (Da Silva). O Real Madrid terve: Dominguez; Marquitos (Michel), Santamaria (Zagarra) e Casado; Vidal e Pachin; Canário, Del sol, Di Stefano (Pepillo), Puskas e Gento. (fotos reproduzidas da Revista do Esporte).
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

MARTIM FRANCISCO - ESQUEMÁTICO-9

Para ser campeão carioca em 1956, o técnico Martim Francisco bolou um esquema diferente para os períodos de concentração. Na antevéspera da partida, o time apresentava-se às 8h30, para começar o treino uma hora depois. Após duas horas de prática, uma rápida revisão médica, com almoço programado para o meio-dia.
Com time bem treinado e descontraído, o América não foi páreo
Rango devorado, Martim levava a rapaziada para um passeio pelas proximidades, a fim de ativar a digestão. Isso rolava entre 13h e 13h30. Em seguida, uma grande novidade: visita a familiares dos jogadores, com duração de quatro horas e obedecendo a um rodízio. Às 18h, todos estavam de volta a São Januário, para o jantar, às 19h. Rolava, a seguir, um novo passeio pelas beiradas da Colina. Da 20h30 às 22h, era permitido aos concentrados jogarem sinuca, pingue-pong, xadrez, dominó, ou assistir TV, ouvir rádio ou ficar lendo.
No segundo dia de concentração, Martim Francisco só mudava o programa das 14h às 18h. Trocava a visita familiar por uma ida ao cinema e passeios a pontos pitorescos do Rio de Janeiro. Já o dia da partida começava com alvorada às 7h. O almoço saía às 10h30, seguido de um ligeira caminhada pelo estádio e a prelação sobre o que o time pegaria pela frente. Funcionou. (foto reproduzida de "Manchete Esportiva" Nº 58, de 29 de dezembro de 1956).



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

MARTIM FRANCISCO SISTEMÁTICO - 9

Alguns torcedores vascaínos fanáticos  adoram falar das "primeirices" do clube. Tem gente que até coloca no gramado da Colina a invenção do sistemas tático 4-2-4, que teria sido inventado pelo treinador Martim Francisco. Lenda! Se o inventou, Martim não era um cruzmaltino na época em que a tática surgiu. Vamos ver como isso rolou.
O futebol brasileiro, até metade da década de 1950, seguia a cartilha de Herbert Chapmann, o criador do sistema tático inglês WM. Os treinadores europeus que por aqui chegavam, sempre o aplicavam, como Dori Kurschner, Bella Guttman e Giula Mandi. No entanto, a derrota na final da Copa do Mundo-1950, frente ao Uruguai, mostrou aos brasileiros a necessidade de rever conceitos táticos.
Flávio Costa criou a “Diagonal”. Mas não foi além de ajustes no sistema WM, sem mudar muito. Tem-se 1951, na cidade mineira de Nova Lima, o berço de uma nova engenharia tática mutante no futebol canarinho, que ainda nem era canarinho. O 4-2-4 é filho de muitos pretensos pais, mas o mais apostado é Martim Francisco, então treinador desconhecido do Villa Nova-MG.Corria o Campeonato Mineiro de 1951 e o Villa teria pela frente o Atlético Mineiro, dono de um ataque poderosíssimo e treinado por Dorival Knipell, o Yustrich, ex-goleiro do Vasco, na décadas-1940. Até a partida anterior, o Villa atuava no WM. Então, Martim tirou um homem do miolo e o recuou para a zaga, mandando a campo dois zagueiros à frente do gol e mais dois atletas no meio do campo, abrindo o caminho para os dois laterais atacarem, pois tinha dois sujeitos rápidos para finalizarem. O 4-2-4, com bola dominada, poderia virar um 3-3-4, quando fosse fustigado. Nesse caso, um atacante ajudava o meio-de-campo.
A tática foi seguida por vários treinadores, mas só chegou à vitrine do futebol brasileiro dois anos depois, quando o paraguaio Fleitas Solich a usou em seu Flamengo tricampeão carioca (1953/5/55). Passados três anos, foi a vez da Seleção Brasileira chegar à Copa do Mundo da Suécia, com o 4-2-4 no gatilho. Encantou o mundo, trouxe o caneco e consagrou o sistema. 
O 4-2-4 gerou o 4-3-4, também nascido no Brasil, e que rendeu o bi mundial, em 1962, no Chile, e o tria, em 1970, no México. Sem falar do título carioca de 1956, conquistado Vasco de Martim Francisco – campeão mineiro, em 1951, no ano do lançamento da sua moda, com o “Leão do Bomfim”, o apelido do Villa